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	<title>Danniel Rangel - Danniel Rangel</title>
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	<title>Danniel Rangel - Danniel Rangel</title>
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		<title>FEMALE POWER</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Danniel Rangel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2022 16:48:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Radar Bazaar]]></category>
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<p>The post <a href="https://dannielrangel.com/female-power/">FEMALE POWER</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Feminista por natureza, Andrea Bowers usa a arte para tocar em feridas como feminicídio, racismo, desigualdades, mudanças climáticas e tudo o que está debaixo do tapete por Danniel Rangel, de Milão</h3>
<p>ANDREA BOWERS USA SUA arte para questionar o status quo da sociedade patriarcal. Festejada em duas grandes exposições no prestigioso Hammer Museum, em Los Angeles, e na Furla Foundation, em Milão, a americana escancara mazelas em seus trabalhos sem medo. Acrescente às obras muito talento e cor. Em nosso último jantar, na Itália, em setembro passado, ela estava super animada com sua nova exposição em Milão. No vaivém das conversas, a artista nascida no estado americano de Ohio, em 1965, versava sobre família, pandemia e seus trabalhos em vídeo. Além de artistas que abriram o caminho para sua trajetória como <a href="https://dannielrangel.com/artists-of-the-month-barbara-t-smith/">Barbara T. Smith</a> e Simone Forti. Nesse bate-bola, fomos parar no início do século passado com as artistas russas Marevna e Marie Vassilieff e as dadaístas Suzanne Duchamp e Hannah Höch. Mais do que um jantar, a noite foi de questionamentos sobre o futuro tão incerto da humanidade, que muda a cada século e milênio, tentando se agarrar nos valores do passado e com o medo dessa imensidão de possibilidades à nossa frente. Mas a palavra responsabilidade se destacava mais do que nunca. Afinal, isso é arte!</p>
<p>Política, guerra e destruição ambiental depois de uma pandemia de proporções globais dominaram a conversa entre um gole e outro de vinho tinto. Conheci Andrea em uma de suas exposições, alguns anos atrás, em Milão, logo após a eleição de Donald Trump, na qual denunciava – através se seus trabalhos em néon – as palavras retiradas do dicionário do então presidente dos Estados Unidos. Criticava, em leques coloridos, as frases machistas proferidas pelo republicano, tais como “dead man don’t grab pussy”, ou por meio da série de pinturas Migration is Beautiful, que dá forma a uma borboleta. E até mesmo em Puta Feminista, com uma antiga imagem usada nos Estados Unidos de quando as mulherem clamavam pelo direito ao voto.</p>
<p>Há poucos meses, na galeria Kauffmann Repetto, em Milão, ela questionava mais uma vez sobre o desmatamento das florestas e a preservação do meio ambiente, mostrando que não podemos ignorar o que está acontecendo em nosso planeta. Entre as obras, galhos de árvores secos em bronze e néon, além de aquarelas com documentos com direitos da natureza no Equador. Chama a atenção para a proteção das florestas, rios e animais. E para a igualdade de tudo e todos: uma pintura em cardboard, representando a árvore da vida, com influência renascentista com todas as raças e gêneros.</p>
<p>No Hammer, como já era esperado, mostrou na retrospectiva a importância entre arte e ativismo, visando a busca por um mundo mais justo: com direitos de trabalho mais justos, tolerância a imigraçao, gênero e especialmente mudanças climáticas. Ocupando vários salões do museu, ela usou diferentes mídias, desde pintura, performance e vídeo até instalações e esculturas em néon. Mais de 60 obras mostram a trajetória de mais de 20 anos de trabalho, ampliando sua prática em todas as mídias durante todos este anos.</p>
<p>Na Fondazione Furla e Gam em Milão, sob o título Moving in Space Without Asking Permission, ela vai fundo em temas como feminismo – principalmente na Itália, com o trabalho da ativista e filósofa Alessandra Chiricosta, que estuda artes marciais e o conhecimento do próprio corpo e sua anatomia através dele, oferecendo uma quebra entre os estereótipos de gênero. E, também, examina a emancipação feminina italiana na virada do século 20, tema que toma mais de cinco espaços da fundação e museu, com um só intuito: revelar a todos “A Feminist Combative Self Awareness” (uma autoconsciência combativa feminista, em tradução livre). Tema que está nos livros da filósofa e na força dos trabalhos de Andrea. “Como a arte pode estimular reflexões e, também, trazer ao nosso conhecimento os assuntos atuais e urgentes”, comenta a artista. Mostrando que não existe mais volta quando a arte assume papel político para construir um futuro mais igual, está na hora de virarmos a página e andarmos em direção a um futuro com mais consciência, respeito e menos ganância, mais empatia e amor ao próximo. Sem esquecer de reverenciar e respeitar nossa mãe maior: a natureza. O que estamos esperando para entrar nesse futuro?</p>

<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-1440 size-full" src="https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/10/obras-Andrea-Bowers.jpg" alt="" width="1876" height="720" srcset="https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/10/obras-Andrea-Bowers.jpg 1876w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/10/obras-Andrea-Bowers-300x115.jpg 300w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/10/obras-Andrea-Bowers-1024x393.jpg 1024w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/10/obras-Andrea-Bowers-768x295.jpg 768w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/10/obras-Andrea-Bowers-1536x590.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1876px) 100vw, 1876px" />
<figcaption>No alto, da esquerda para a direita, no sentido horário, a obra We Are Part of Nature&#8230; Not Outside of It. What We Do to the Earth, We Do to Ourselves (2022), Andrea Bowers, instalações We are 11 million, em Nova York, e disrupting and resisting, ambas de 2018.</figcaption>
</figure>



<pre class="wp-block-verse">Matéria originalmente publicada na revista <a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Radar Bazaar</a></pre><p>The post <a href="https://dannielrangel.com/female-power/">FEMALE POWER</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>BIG BANG</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Danniel Rangel]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Aug 2022 02:10:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Radar Bazaar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Judith Bernstein retrata a guerra, o fascismo, o racismo, a preservação da natureza e o feminismo. Com quase 80 anos, seu trabalho une sexualidade, direito ao aborto e política, fazendo...</p>
<p>The post <a href="https://dannielrangel.com/big-bang/">BIG BANG</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Judith Bernstein retrata a guerra, o fascismo, o racismo, a preservação da natureza e o feminismo. Com quase 80 anos, seu trabalho une sexualidade, direito ao aborto e política, fazendo dela uma artista para lá de atual por Danniel Rangel, de Paris</h3>
<p>JUDITH BERNSTEIN, 79 ANOS, sempre usou pincéis para revelar suas ideias vanguardistas por meio de sua arte. Feminista por natureza, a artista nunca teve medo de mostrar a que veio em um tempo em que muita coragem era necessária para se posicionar. Mesmo quando a onda de novas artistas surgia e tornava-se <em>fashionable</em>, Judy estava décadas à frente, porque nem em um só minuto parou de trabalhar e expor sua visão – mais que feminista, poderíamos descrevê-la como humanista. Sua perseverança incansável abriu caminho para tantas outras artistas.</p>
<p>Celebrada por muitos museus da atualidade, Judy foi censurada no início de sua carreira não pela mensagem política que passavam suas criações, mas pelo teor erótico de suas obras. Em exposições como <em>Woman’s Work: American Art</em> (1974), suas colegas assinaram uma petição para que sua obra não fosse excluída, vide Alice Neel, Louise Bourgeois, entre outras. Mas não houve jeito frente ao moralismo da época. Para ela, toda mulher tem um falus (do latim <em>phallus</em>, simbologia dada às representações da imagem de um pênis ereto) em sua cabeça. “É uma questão de descobrir”. E ela descobriu isso muito cedo.</p>
<p>Sua série sobre a guerra do Vietnã traz peças raras e faz parte de grandes coleções de museus e privativas no mundo. As obras foram expostas no Smithsonian Museum e no MIA, em 2019 e 2020, na exposição <em>Artist Respond: American Art and Vietnam War</em>, 1965-1975. Sem falar em 2012, quando invadiu as paredes do New Museum com sua trade mark signature e os trabalhos da guerra do Vietnã, na mostra <em>Once Banished, Never Silenced</em>.</p>
<p>O começo de tudo, após sua graduação em Yale, não foi fácil. Ela saía de porta em porta procurando galerias. E a rejeição fez parte de sua força e seu direcionamento. “Me considero otimista”. Hoje o caminho para mulheres é muito mais fácil do que há anos, e o movimento #metoo foi um dos fatores que contribuiu para essa evolução. “Ainda temos muito que conquitar”, comenta.</p>
<p>Desde sua própria assinatura, citada acima, influenciada pelos grafites de Nova York, ela narra que o carvão é “muito sensual” quando se trabalha com esse material. Seus icônicos pênis em forma de parafusos mostram o controle patriarcal sobre as mulheres em nossa sociedade. Judy passou por várias fases, mas sempre sendo fiel ao seu começo, nos anos 1960. “Meu trabalho é uma evolução, e lido com os problemas do meu país e do mundo através dele, do nosso cotidiano e as barreiras que temos que passar para evoluir”, descreve.</p>
<p><em>Fun Gun</em>, uma de suas obras prediletas, mostra um pênis em forma de revólver, atirando tal como uma metralhadora giratória, chamando a atenção para o controle de armas, não só em seu país de origem, mas também para evitar as guerras.</p>
<p>Seus trabalhos em qualquer das décadas, tão atuais nos dias de hoje, retratam, além da guerra, o facismo, o racismo, a luta pela igualdade, a preservação da natureza e o feminismo. Todos são temas frequentes e muito fortes em suas obras. Judith questiona tudo: onde a sexualidade, a política e o bom humor se encontram de uma forma única, tornando-a uma artista singular e atual. E ela faz questão de deixar isso bem claro. “Tudo é muito sério, com pinceladas de cor, arte e humor.”</p>
<p>Antes da pandemia, a exposição <em>Hot Hands</em>, na galeria The Box LA, falava sobre toda a raiva que assolava os Estados Unidos, sua política de terror e questionava o fim da democracia. Anos antes, depois da posse do presidente Donald Trump, Judy foi ainda mais longe em um show solo intitulado <em>Cabinet of Horrors</em> (Gabinete de Horrores, em tradução livre), revelando as facetas da supremacia ariana, sexista e fascista do então candidato eleito à presidência dos Estados Unidos, que aconteceu no <em>The Drawing Center</em>, de Nova York. “A ascensão de líderes mundiais populistas ocorre porque há tantos problemas que as pessoas ficam furiosas quando suas necessidades não estão sendo atendidas”, explica. “Os líderes populistas são ativistas experientes, que usam carisma e bravura para atrair os eleitores, mas não têm uma agenda real ou código moral. Em vez disso, são moralmente corruptos e operam apenas para servir a si mesmos”, continua.</p>
<p>Um show de cores fluorescentes, os <em>Big Bangs</em>, símbolos americanos tais como a própria bandeira, o American Eagle, como sinais de alerta para o caminho que a sociedade americana havia escolhido, sempre chamando atenção para o quão frágil é a democracia. Quando questionada sobre o uso das cores fluorescentes, ela disse: “são fantásticas, foi uma grande descoberta tal como o universo. São fortes, chamam a atenção para a obra durante o dia e, como estrelas, brilham no escuro”.</p>
<p>Chocada com a decisão da Suprema Corte Americana que suspendeu o direito ao aborto, assegurado pela constituição há quase 50 anos nos Estados Unidos, ela não deixa por menos. “Apesar do progresso cibernético, ainda continuamos a andar para trás com essa questão”, defende. No momento, ela trabalha em uma nova série que intitulou de <em>GasLight</em>, depois de assistir ao filme noir dos anos 1940 (no Brasil, intitulado <em>À Meia-Luz</em>), em que o personagem Charles Boyer, vivido por Gary Anton, tenta enlouquecer a sua mulher, Paula (Ingrid Bergman), por causa de uns rubis deixados pela sua falecida tia – uma cantora de ópera. Mais uma vez, questiona o poder patriarcal na sociedade, chamando a atenção para o abuso psicológico entre casais e, também, para a sanidade mental.</p>
<p>Depois de muitas horas de conversa e de assuntos diversos, ela se resume como uma otimista, na certeza de que a humanidade caminhou muito. “O único problema é esse medo desenfreado do futuro. A única maneira de os governantes continuarem a controlar a humanidade é através do medo, pois o futuro parece incerto, mas não temos outra alternativa a não ser deixar os antigos valores e abraçar o século XXI.” Para ela, a internet é uma invenção extraordinária que só facilita nossas vidas. “Se formos educados e inteligentes suficientemente para usá-la, podemos desenvolver milhões de maravilhas – desde o encontro de vidas em outros planetas a novas soluções para muitos problemas.”</p>
<p>Humanista, feminista e muitos mais adjetivos cabem nesta força da natureza. Firme e forte em seu pedestal, uma pioneira quase octagenária que ainda acredita que a vida é um presente. E temos que fazer a diferença em nossa breve passagem neste planeta tão fantástico. Àqueles que pensam longe, ela tem um recado. “Me dei conta que é um comprometimento a longo prazo, muito completo, que não tem conserto rápido”, arremata.</p>

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<figcaption>No alto, da esquerda para a direita, no sentido horário, Money Shot (2016), Horizontal e Five Panel Vertical (1973), Birth of Universe #5 (2012), Supercock, Pink Gaslighting #5 (2022), Gaslighting Forever #1 (2021) e Gaslighting #2.</figcaption>
</figure>



<pre class="wp-block-verse">Matéria originalmente publicada na revista <a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Radar Bazaar</a></pre><p>The post <a href="https://dannielrangel.com/big-bang/">BIG BANG</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>METAVÉRSICA LYNN</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Danniel Rangel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 17:37:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Radar Bazaar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das pioneiras da arte digital, Lynn Hershman Leeson usa a tecnologia como instrumento desde os anos 1960 – e sofreu, lá atrás, a resistência de museus e instituições. Hoje,...</p>
<p>The post <a href="https://dannielrangel.com/metaversica-lynn/">METAVÉRSICA LYNN</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Uma das pioneiras da arte digital, Lynn Hershman Leeson usa a tecnologia como instrumento desde os anos 1960 – e sofreu, lá atrás, a resistência de museus e instituições. Hoje, é aclamada!</h3>
<p>Sempre fui fascinado pelos artistas da famosa Bay Area, em São Francisco, nos Estados Unidos. De alguma forma, eles tinham uma relação direta com o Dadaísmo e o Surrealismo francês, explorando poesia, pintura, filmes, performances, ideias e liberdade. Quando descobri o trabalho de Lynn Hershman Leeson, fiquei impressionado com a intensidade, força e intimidade que ela mostrava em suas obras, e como ela usava as mídias de todas as épocas, desde os anos 1960, para usar sua voz na arte. Principalmente como uma artista naquele momento. Algumas vezes, tentando impor a maneira como ela deveria se expressar, e vendo abafarem a sua arte – o que só serviu como combustível para seus trabalhos.</p>
<p>Seus traços e desenhos são, ao mesmo tempo, de uma vulneralibidade e tamanha força&#8230;daquela que é revelada em todos nós, seres humanos, em algum momento de nossas vidas. Lynn sempre acreditou no novo e na época em que vive, e usou e abusou de todas as mídias para dar vazão à sua arte.</p>
<p>O primeiro exemplo são as Beathing Machines, que ela apresentou em Berkeley, no final dos anos 1960, com um conjunto de desenhos. A exposição foi tão polêmica que, após três dias, foi encerrada. Como era possível uma artista apresentar esculturas em cera, com seu rosto, que falavam e respiravam? A ideia de Lynn era despertar em nós mesmos o quanto é importante o silêncio e saber ouvir a si próprio.</p>
<p>Outro de seus trabalhos, nos anos 1970, foi Roberta, um avatar criado por Lynn com casa, conta bancária, recibos de mercados, lojas, alugueis bem documentados. Isso tudo em um período pré-Cindy Sherman e também décadas antes de Second Life e, mais recentemente, do metaverso, em que tudo é possível virtualmente.</p>
<p>Uma esponja, Lynn absorve tudo à sua volta: seu cotidiano, os lugares em que vive. Isso é mostrado em um dos seus trabalhos, que expõe os mesmos elementos de Alfred Hitchcock em Vertigo, filmado em São Francisco, sua cidade natal, bem como em suas colaborações com a musa do filme Orlando, Tilda Swinton, que encarna o gênero que nossos olhos enxergam, não o que realmente é.</p>
<p>Ano passado, sua exposição durante a epidemia de Covid-19, no New Museum, em Nova York, foi um sucesso. Ao telefone, ela me contou: “Ainda tenho muito a revelar”. E eu não tenho dúvidas disso. Uma das estrelas da Bienal de Veneza de 2022, Lynn não deixou por menos. Aos 81 anos, aquela era a primeira Bienal de Veneza da qual participava e não foi à toa que deixou sua marca como esperado. Ganhou a menção especial do júri “por indexar preocupações cibernéticas por meio de exibições de forma iluminadora e poderosa, que inclui momentos visionários sobre a influência da tecnologia em nossas vidas.” O seu talento prevaleceu, como sempre deveria ter sido, no mundo da arte.</p>
<p>Para este ano e para o ano que vem, estão previstas várias exposições suas na Califórnia e na Alemanha, provando que Lynn Hersmann Lesson se mantém uber ativa, lançando, inclusive, NFTs, entre outros projetos. “Além de passar meu tempo entre Nova York e São Francisco, tenho muito acesso às novas tecnologias. Não vivo longe do Vale do Silício, onde tudo acontece, e isso é inegável.” Para ela, no fundo, tudo começa na ideia, se tranfere para o desenhos e, com seu imenso talento, o céu é o limite. Como o titulo da Bienal da Veneza deste ano, The Milk of Dreams, menção ao livro da surrealista Leonora Carrington, acredito que seja apenas o começo para esta artista incansável, inteligente e que nos convida a viver na realidade e na nossa época, mas sem deixar de sonhar.</p>

<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1347" height="720" class="wp-image-1253" src="https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/06/obras.jpg" alt="" />
<figcaption>No alto, da esquerda para a direita, no sentido horário, Identity Ciborg e Roberta’s Body. Na dupla anterior, a obra 976-4900, Roberta Multiples, Seduction, Self Portrait as Another Person, Water Woman e Transgenic Cyborg</figcaption>
</figure>


<pre class="wp-block-verse">Matéria originalmente publicada na revista <a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Radar Bazaar</a>

Foto Gregory Carideo</pre><p>The post <a href="https://dannielrangel.com/metaversica-lynn/">METAVÉRSICA LYNN</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>GIRLS ON FIRE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Danniel Rangel]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2022 18:36:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Radar Bazaar]]></category>
		<category><![CDATA[bazaar]]></category>
		<category><![CDATA[radar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Museu do Jardim de Luxemburgo em Paris apresenta a exposição Pioneiras, uma reunião do avant garde feminino nas primeiras décadas do século XX na Cidade Luz.<br />
Por Danniel Rangel.</p>
<p>The post <a href="https://dannielrangel.com/girls-on-fire/">GIRLS ON FIRE</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="wp-block-heading">O Museu do Jardim de Luxemburgo em Paris apresenta a exposição Pioneiras, uma reunião do avant garde feminino nas primeiras décadas do século XX na Cidade Luz.</h3>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Quando Norman Mailer insistia em chamar Susan Sontag de “lady writer”, ela fez uma pausa e retificou o aclamado escritor: “No, I’m a writer” … Já mostrando que não havia diferença entre os dois, exaltando sua atitude macho-sexista. Bem antes desse incidente e do manifesto feminista da jornalista e escritora Gloria Steinem, lá atrás, bem no comecinho do século passado, nos famosos Anos Loucos de 1920, Paris era a capital do mundo, cidade onde a liberdade artística, sexual e de gênero coloria as noites de Montparnasse a Montmartre, passando pelo Quartier Latin. Cheia de boemia, festas e, também, de muita arte e literatura. Era proibido proibir, definitivamente.</p>



<p>Foi nesse ambiente que muitas artistas, tais como as russas Marevna e Marie Vassilieff, dividiam as mesas dos cafés noite afora com seus amigos Amadeo Modigliani, Chaim Soutine, Picasso, Henri Matisse, o compositor Erik Satie… Os mesmos que se reuniam no ateliê de Vassilieff em Montparnasse para conversas e muita criação em meio a euforia e êxtase na Babilônia Francesa, assim descrita por Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway em seus livros. O estúdio que acolheu tantos artistas se transformou no Museu de Montparnasse, um lugar cheio de história, verdadeiro laboratório criativo de inúmeros talentos.</p>



<p>Mulheres e homens de todas as partes da Europa partiram em direção à Cidade Luz na busca de liberdade de expressão, tais como a cantora e dançarina Josephine Baker, que após sair dos Estados Unidos, tornou-se a grande estrela e ícone da época (foi naturalizada francesa em 1937), além de militante, espiã durante a Segunda Guerra Mundial e filantropa. Ano passado, entrou para o seleto grupo de mulheres a ocupar o Pantheon Parisiense, sendo a primeira negra deste rol e, mais uma vez, fazendo história, mesmo um século depois de sua aparição.</p>



<p>É justamente cem anos depois que a vanguarda, ousadia e coragem dessas mulheres é contada na exposição Pionnières. Artistes d’un nouveau genre dans le Paris des années folles (Pioneiras. Artistas de um novo gênero na Paris dos Anos Loucos), em cartaz até 10 de julho, no Museu do Luxemburgo, em Paris. Reúne o trabalho de 45 artistas, entre pintoras, escultoras, cantoras, escritoras e estilistas – de Suzanne Valadon a Tamara de Lempicka, Anton Prinner e Gerda Wegener, além da brasileira Tarsila do Amaral.</p>



<p>A exposição mostra não só a emancipação feminina conquistada na época, mas também a coragem e determinação dessas artistas que pavimentaram o caminho para a arte contemporânea de hoje. Em 2021, o Museu Puschkin, em Moscou, realizou uma mostra intitulada As Musas de Montparnasse, que também revelava ao público, pela primeira vez, todas as artistas e musas da época. Nomes como a pintora e gravurista Marie Laurencin, a pintora e escultora dadaísta Suzanne Duchamp, a artista e escritora Valentine Hugo, a fotógrafa, poeta e pintora Dora Maar, a atriz e modelo Maria Lani, e a modelo, atriz e cantora Kiki de Montparnasse, entre outras. O véu do esquecimento estava sendo descoberto. Não é assim que sempre acontece com todos os gênios?</p>



<p>Pionnières vai muito além: assuntos como a liberdade de gênero, algo tão discutido hoje em dia… Na época, era natural para aquela sociedade francesa e europeia, nos dando a impressão de que, na verdade, a humanidade regrediu neste quesito um século depois, e estamos debatendo assuntos já resolvidos. Basta olhar para os retratos da artista Claude Cahun, que não deixa nada a desejar à super contemporânea Cindy Shermann. Em outra sala, o alter ego do pai do ready-made Marcel Duchamp “Madame Rrose Selavy”, aparece fotografado por Man Ray em trajes feitos por Paul Poiret e seu chapéu de plumas em uma atitude para lá de dadaísta. Movimento que nasceu exatamente ali, nos cafés.</p>



<p>A independência feminina também é muito presente na exposição. Podemos encontrar essa atitude na pintura A Odalisca, da artista Suzanne Valadon, uma mulher forte, com cigarro nos seus lábios e, no lugar do famoso jarro de flores, somente livros para ressaltar a intelectualidade, em vez da fragilidade. E, falando em livros, não poderíamos deixar de citar Colette, grande nome da literatura mundial, bem como na moda, Gabrielle Chanel, que, além do famoso robe noir, também aparece retratada por Marie Laurencin. Uma ebulição total, abrindo portas para todas e todos, tais como a cantora e musa da época Suzy Solidor, que aparece em retratos centrais da mostra, e a pintora polonesa Tamara de Lempicka, favorita de Madonna (uma de suas maiores colecionadoras), e homenageada pela cantora no videoclipe de 1986 Open your Heart, dirigido pelo francês Jean-Bapstiste Mondino, em que surge como dançarina de um Peep Show.</p>



<p>Essa é só uma prévia do que estar por vir, pois Pioneiras é a primeira de muitas exposições dedicadas às artistas da primeira metade do século XX. Em abril, durante Bienal de Veneza, a curadora Cecilia Alemani selecionou mulheres de todas as épocas, algo inédito. Leonora Carrigton, inglesa que passou a maior parte de sua vida no México e é considerada a “rebelde”do surrealismo, foi homenageada com o tema da Bienal, The Milk of Dreams, título de um livro infantil no qual fez as ilustrações. A mensagem é simples: the future is female.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="547" src="https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/05/obras-1024x547.jpg" alt="" class="wp-image-1253" srcset="https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/05/obras-1024x547.jpg 1024w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/05/obras-300x160.jpg 300w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/05/obras-768x411.jpg 768w, https://dannielrangel.com/wp-content/uploads/2022/05/obras.jpg 1347w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Da esquerda para a direita, no sentido horário, obras de Marie Vassilieff, Mela Muter, <em>Pioneiras </em>Tarsila do Amaral, vista geral da mostra, Tamara de Lempicka (cartaz da exposição) e Marcelle Cahn</figcaption></figure>



<pre class="wp-block-verse">Matéria originalmente publicada na revista <a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/estilo-de-vida/patricia-carta-fala-sobre-a-edicao-de-maio-da-bazaar/" data-type="URL" data-id="https://harpersbazaar.uol.com.br/estilo-de-vida/patricia-carta-fala-sobre-a-edicao-de-maio-da-bazaar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Radar Bazaar</a></pre><p>The post <a href="https://dannielrangel.com/girls-on-fire/">GIRLS ON FIRE</a> first appeared on <a href="https://dannielrangel.com">Danniel Rangel</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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